domingo, 31 de maio de 2009

FESTA DA DANÇA

Foi uma tarde cheia. De som, luz, amizade e nervoso miudinho. As crianças sempre me encantam, no ballet como no hip hop, no karaté como nas sevilhanas. Lindas, ágeis, cheias de ritmo e, sobretudo, extravasando energia. Os adultos também, nestes dias. Ficam mais bonitos, talvez reflexo da música que ecoa nos corações soltos. Este ano, saíu-me dançar um cha-cha-cha. Não tem a sensualidade do tango, sequer a imponência da valsa, mas tem muita alegria e isso faz-me bem. Senti-me solta dançando, segura nas mãos firmes do meu par que, baixinho, murmurava confiança.
Claro, com a minha sensibilidade exagerada ia borrando a maquilhagem... É que a Filipa, a minha menina-aluna sempre atrasada com um enorme coração, encheu o palco num solo de ballet que me encantou. Vi a Filipa dançar e na minha cabeça havia Álvaro de Campos, os olhos de Blimunda, a poesia de Camões a fazerem-lhe companhia. A minha Filipa refilona, hoje, rodopiando de azul, lembrou-me a força da juventude, abanou-me os pensares, fez-se um soneto no palco do Centro de Artes do Espectáculo em Portalegre!

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