segunda-feira, 24 de junho de 2013

A Lua


Está o país de olhos no céu, mas as árvores do meu quintal impedem que faça parte deste colectivo. Adivinhei-lhe a força, espreitando-a da porta, mas não consegui encantar-me e fui tentar dormir. Não sou nada entendida nestas coisas da astronomia, estou mais habituada a olhar o céu por outros motivos, procurando outras presenças, outras luzes também. Mas não resisti aos apelos e alertas constantes da comunicação social - quem sabe se, daqui a 18 anos, estarei viva para ver de novo este fenómeno? - e saltei da cama, com remorsos por não ter ligado nenhuma à lua quando ela se mostra na sua total pujança, atrevendo-se a aproximar-se desta bola achatada e louca que é a Terra.
Pronto, fotografei-a já alta e, agora, muito mais culta e socialmente integrada, posso ir dormir. Amanhã, poderei entrar nas conversas certas sobre o tamanho da lua, o seu brilho e, talvez, a sua forma redonda. O que eu não vou contar a ninguém, a ninguém-ninguém, são os desejos que pedi a esta lua extraordinária, a intensidade com que lhe supliquei que iluminasse outra noite, outra escuridão que nenhum sol consegue destruir...

10 comentários:

  1. Num país em que andamos todos no "ar", é natural que se goste de olhar para a lua...

    Ana

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    1. Ai Ana, como eu gostava de poder emigrar para a lua...


      Luísa

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  2. A primeira imagem, com os ramos das suas árvores, é fantástica. Lembra fantasmas e romances!

    Isabel

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    1. E não lhe lembra vampiros? A mim lembra...

      Luísa

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  3. O que pediu à lua? Queria tanto saber...

    João

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  4. O que eu admiro a sua ironia ! Farto-me de rir!

    Mª da Graça

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    1. E que bom é rir! É o que nos resta neste país de doidos!
      Luísa

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  5. Gostei imenso das fotos,têm dedo de mestre!!!
    Espero que a lua recompense e concretize os seus pedidos.

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